quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Pingos de infância



Era tarde, pequenos pingos de chuva.
Seu som confortante, aquele frio úmido.
Minha alma tranquila.
Vagando em meus pensamentos e lembranças.
Tudo que passou, tudo que passei.
Entre sorrisos e alegrias tristes.
Lembranças de uma infância solitária.
Penso em como poderia ser diferente.
E destino.
Feliz talvez............

Micael Araújo Andrade

domingo, 4 de novembro de 2012

Sonhar e voar




Não posso.
Mas quero.
Voar.
Pairar sobre a natureza.
Afastar-me do baixo.
Nas alturas, sentir algo mais que minhas pernas.
Sentir minhas asas.
Num instante estar.
Em tudo.
Em todos.
Estar onde pensar.
Na verdade nem de asas preciso.
Preciso me ausentar de matéria.
Ausência.
Ausentar-me por um momento.
Ou para sempre.
Apenas o tempo me dirá.
Quero voar.
Deslizar.
Tocar o universo.
Quero mais do que sou.
Não quero um sonho.
Quero a realidade.
Sonhos nos libertam.
São momentos de ver além da alma.
Sonhar é desprendimento.
Sonhar é viver.
Quero voar.
E assim deslizar entre as nuvens.
Deslizar em multidões.
Deslizar em sentimentos!
Deslizar nos pensamentos.
Que me arrebatam rumo ao tudo.
Ao todo.
Rumo ao início.
O fim sempre é o início.
Do sonho eterno.
Eterno viver.

Micael A. Andrade



Onde.




O que me resta?
O que me vale a vida?
Seus suspiros não tocam meus ouvidos.
Esse respirar ofegante.
Seduziu-me, cadê você?
Seus olhos vivos, cheios de paixão.
Seu corpo dançante ao caminhar.
Seu sorriso a me iluminar.
Onde!!
Onde estás?
Onde está seu sorriso?
Onde está seu querer.
Te querer é fácil.
E te ter?
Cadê você? Cada dia sufocante!
Cada instante uma eternidade.
Cada querer me aperta o coração.
Esse amor transbordar da minha alma.
Inunda meu viver.
Só falta você.
Onde estás!
Levou minha vida!
E agora onde estás?
Em que braços está?
E seus afagos de quem são?
Amor transborda, não sei até quando.
Até aguentar, até quando viver.
Onde.
Onde estás!

Micael A. Andrade

O que vale a pena.






Hoje rezei.
Orei.
Ladainhas.
Descarrego.
Bênçãos
Gritei aleluias, para espantar a consciência.
Chorei baixinho.
Remorso, coração pesado.
Minha vida.
Exijo ser puro.
Imaculado.
Julgo – me melhor.
Pois prego a palavra.
De Deus?
Do homem.
Ou que me é conveniente?
Invejo meu irmão.
Pelos bens que possui.
Rezo e canto, mas a inveja ainda corroeu a alma.
Desejo mais do que preciso.
Quero mais do que mereço.
Terços e ladainhas.
Lamurias de almas pesadas.
Chorar demais é só emoção?
Ou remorso?
Digo amém!
Esperando recompensas?
Espero receber algo em troca?
Barganha com Deus?
Deus não te dá nada.
Auxilia-te!
Queres bens materiais e fala em compaixão.
Fé.
Sim, dinheiro é bom.
Saber usá-lo melhor ainda.
Querer enriquecer...
Riquezas.
Quais as mais valiosas?
Qual levará após a morte?
Material, dinheiro, joias, carros, casas...
Levarás os seus atos, seu aprendizado.
E os sorrisos que proporcionou sem levar nada em troca.
Levará o bem feito anonimamente.
Levará o amor que praticou.
Suas preces.
Suas rezas.
Suas aleluias.
Seus pontos e cantos.
Suas orações...
Morreram com você.
E o remorso atormentará seu espírito.
E lamurias não serão suficientes.

Micael A. Andrade